bolachas de aveia ou
também já não era sem tempo que as gavetas de um certo e raro arquivo fossem entreabertas para se poder encontrar aquilo a que alguém, um dia, chamou migalhas:
Algumas partes de que gosto: o ângulo do pescoço, rente ao esterno, o círculo polar do seio sobre o osso, a curva côncava que une as coxas à cintura, o perigoso cruzamento das pernas, junto ao fundo das costas. O todo, se me permitem, não é para aqui chamado.
O declínio do verão não se detecta no sol mais baixo; o cansaço apreensivo dos corpos bronzeados será o decisivo sinal do fim anunciado.
A libertinagem é a mais refinada forma de etiqueta: educa-nos o corpo trazendo-o preso por uma trela.
Se a literatura fosse apenas a soma de todos os livros numa biblioteca imaginária, como as de Borges, se o leitor fosse reduzido a uma condição de arquivista (e como eu detesto o rigor do arquivista), seria melhor nem começar, não valeria a pena o esforço dos gigantes que escrevem. Há mais, tem de haver mais, a intenção de um deus oculta no intervalo das palavras.
Achava que cada post que publicava era apenas um teaser para o seguinte.
Os drafts começam a ultrapassar em número os posts. Que fazer quando tudo arde?
Mas no fundo eu queria ser como o outro que, questionado sobre a guerra que se desenrolava, respondeu que, de facto, notara há pouco um certo movimento. Mas de dentro da casa nada via. Tinham-lhe tapado as janelas, lamentável, e apenas pelo som podia adivinhar o que se passava lá fora. E que sempre lhe parecera o ruído de uma fanfarra, em conluio com alguns risos altos de crianças. E isso, a ele, bastava-lhe.