« just an alien | Main | INDYvagações amadoras sobre Imprensa (cad. 2) »

INDYvagações amadoras sobre Imprensa (cad.1)

Não creio que algum projecto com um impacto semelhante ao conseguido pel'O Independente venha a surgir nos próximos anos. O recente/crescente casamento sem separação de bens entre a imprensa e os blogues apenas atrasará o processo de insolvência do cônjuge mais idoso.
Esta descrença não está fundamentada na por demais referida retracção do mercado publicitário. Pode-se imaginar um cenário económico mais favorável dentro de 20-30 anos, e, nem assim, a imprensa terá um papel mais relevante como difusora de informação.
Não deriva este argumento de um cómodo pessimismo. O que aconteceu ao teatro com o surgimento do cinema, e a este com a televisão, em que o meio mais velho, se bem que ultrapassado em influência, sobreviveu ao advento do mais novo, não se aplica neste caso.
A diferença reside na inevitabilidade de qualquer daqueles três meios depender mais das artes e da criatividade do que a imprensa. Esquecendo a criação de patranhas e o espaço opinativo, a imprensa está intrinsecamente mais limitada à comunicação de factos.
A partir do momento em que, mais do que agora, for mais barato e cómodo receber notícias através de um qualquer aparelhómetro de bolso, o papel vai poder descansar um pouco mais nas árvores. Continuarão a ser feitas revistas tão caprichadas como iluminuras, não duvido. E livros também, pois ainda não surgiu nenhum engenho que substitua plenamente a estranha relação de intimidade que se cria entre um maço de papel prensado com vidas lá dentro e quem o segura.
Jornais, daqui a uns 50 anos? Não creio.
A não ser que alguém os vá guardando dentro de uma caixa de papelão.