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teenage wasteland

Pearl Jam no Pavilhão Atlântico counter.gif anteontem.
Numa palavra: assustador. Em três: estádio de futebol. Ainda os moços não tinham começado a tocar e já o público das bancadas ensaiava aquelas “ondas” da praxe futebolística. counter.gif Na primeira vez que o meu pai me levou a um estádio, levei com a bola na cara. A bola não era uma pêra doce e lá fiquei a choramingar com a cara feita num bolo. counter.gif Durante o concerto, uma grande parte do público cantou com Eddie Vedder quase metade das músicas. As trocas massivas de energia entre o público e a banda davam arrepios; duas em cada três músicas, se já não o eram, transformavam-se em hinos. counter.gif Descontando algum umbiguismo que tarda em desaparecer, pouco me move contra manifestações colectivas de alegria. No litoral norte, em 1975, o período revolucionário em curso não se traduziu, como no Sul, em grandes comícios, greves e saneamentos muito frequentes, mas as pessoas, à noite, também não costumavam ficar em casa a ver televisão; os mais velhos e os mais novos juntavam-se nas sedes das comissões de moradores para conversar e discutir, jogar às cartas, damas e xadrez. Não eram necessárias vitórias no futebol para haver alegria nas ruas. counter.gif Tive azar. Bem capaz de ouvir com agrado meia dúzia de músicas (presumo que) recentes e atípicas dos Pearl Jam, nem uma delas constou do alinhamento. Aqueles largos milhares de pessoas entre os 20 e os 30 anos adoram a banda e esta deu-lhes o que estavam à espera. Nas três ou quatro músicas mais lentas, centenas de telemóveis iluminaram-se nas bancadas e na plateia. Estive quase para acender um isqueiro. Seria a primeira vez, e logo para ser do contra. counter.gif Antes de 1974, apenas o Radio Club Português divulgava pop anglosaxónico algo envergonhado; nem sequer Rolling Stones, Doors ou Jimi Hendrix; dos Beatles, só as mais yé-yé, sha-la-la, obladi-oblada; nada de psicadelismos ou letras ostensivamente subversivas. Nas rádios de 1975, a par das canções de intervenção política portuguesas, foi finalmente possível ouvir sem restrições música cantada em inglês da década anterior. Entre tantos, The Who. counter.gif Muito perto do final, os Pearl Jam tocaram uma versão poderosíssima de «Baba O’Rilley» que quase redimiu a minha indiferença. E, no entanto, havia festa em redor. As luzes do pavilhão estavam todas acesas. O público e a banda, também. Decididamente, sou ainda mais velho do que este rock.