Talvez só os pescadores da barra, as crianças e os velhinhos que passeiam à beira-rio tenham reparado. Segundo me é dado ver há vários anos, há uma fragata a percorrer diariamente o trajecto Tejo-acima-Tejo-abaixo. Imagino que deve existir algum motivo bem forte para tamanho dispêndio de energia. A invasão iminente de porta-aviões marroquinos? Um cortejo fúnebre de cachalotes desnorteados?
Receio que, mais uma vez, também a origem deste mistério possa ser bem prosaica: o medo de inimigos imaginários para camuflar a falta de razão de ser? Não ficaria surpreendido se o barco afundasse caso não mantivesse a aparência do movimento.