o desígnio das bolas
Ah sim, o futebol. Pois, a selecção. Alguma malta de esquerda marimba-se e critica a alienação. Toda a malta de direita exulta, defende o desígnio colectivo e aproveita a onda de vitórias para malhar nos snobes de esquerda ou no que os valha. Sim, claro, o Scolari afinal. Afinal o Scolari. Oh, e as mulheres e o Scolari? Pai tirano. Urso panda. O Scolari é um duro. O Scolari é fofo. Os moços podem ser milionários mas são unidos, caramba. É isso que importa. É isso que faz falta ao país, porra. Um pai duro e fofo, com um saco cheio de vitórias e filhos obedientes. Isto sim é um desígnio.



Esta minha treta para ilustrar o facto deplorável de ter adormecido durante o último jogo. Não vi a 2ª parte, nem o prolongamento, nem os penalties. Na falta de alternativa, até desejo que a selecção ganhe. Isso não me impede de recordar as desvantagens apontadas ao soccer pelos norte-americanos amantes do baseball. Nem é preciso comparar com jogos jurássicos na RTP Memória. 0-0, 1-0, 2-1 em quase todos os jogos da actualidade é uma valente estopada. Os moços de agora, de qualquer país, correm que se fartam, cada vez mais, e espaço para os golos? De que estão à espera para aumentar as dimensões do rectângulo? Joguem com 10 de cada lado, se preciso for. Se o futebol actual, mais do que desporto, é espectáculo, resultados de hoquéi, já! 5-4, 8-3, 2-6. Este é o meu desígnio, bolas.