de U2 a O2
«One», por Johnny Cash.
Senão a única, pelo menos a melhor maneira de ouvir U2.
É certo que existem os 3 originais da década de 90, «Achtung Baby» (1991), «Zooropa» (1993) e «Pop» (1997), nos quais Bono quase se esqueceu de gritar e Brian Eno conseguiu disfarçar as evidentes limitações de The Edge.
Há também um verso recente: «stuck in a moment you can’t get out of» que poderia aparecer logo a seguir à citação mais abaixo de Elliot Smith ou ao discurso gravado de um toxicodependente do Cais do Sodré, «1 euro, 1 sande, pela saúde da vossa mãezinha», ou colado ao registo único de alguns blogues, mesmo que colectivos.
Não exactamente com o sentido que escolhi, no refrão desta música consta: «one love, one blood, one life...». A verdade é que Bono nem estica muito a voz no original mas deveria. Depois daquela enumeração one-isto, one-aquilo, falta ali um valente «Urgh!», pois a ideia de unidade é-me tão estranha como escrever posts atrás de posts sempre no mesmo tom, comer pargos assados dias a fio, acreditar num só deus ou numa playlist, e assim por diante.
Não é de agora: a coerência provoca-me urticária, a coesão, psoríase, a conformidade, no mínimo, bexigas loucas. Logo após, vem o bocejo ou pior: as tais 21 gramas de ar exaladas pelos cadáveres precoces.