3 posts recentes sobre futebol e mais do que isso
(de alguém que o vê de modo semelhante ao meu e o descreve bem melhor do que eu)
A Itália é o vencedor lógico do Alemanha 2006. Não fez nada para ganhar a final e apostou tudo nos pontapés de canto e nos penaltis, nessa entidade quase poética que é a passagem do tempo. Depois do calculismo grego do Euro 2004, o cinismo dos azurri consagra a Senhora de Caravaggio como entidade maior do mundo da bola. O futebol passou a ser um pormenor desprezível, uma formalidade que nem todos se dão ao trabalho de respeitar.
«Parabéns»
O Portugal-Alemanha que há pouco terminou foi um dos melhores jogos do Mundial. E foi, de longe, a melhor exibição da campanha alemã da equipa de Scolari. Portugal perdeu, é verdade, mas também tinha perdido com a França, na quarta-feira, e com a Grécia, há dois anos. Desta vez, ao menos, os moços mostraram que sabem mesmo jogar à bola.
«Pragmatismo»
O futebol imita a vida. Adianta muito pouco, e cada vez menos, acreditar nos belos ideais, no futebol arrebatado, na inocência dos bons sentimentos, no perfume inebriante dos verdes anos, no reconhecimento do mérito. Como diria Sven-Goran Erickson, o Gana e a Espanha jogaram muito bem, mas regressaram a casa. Pé na bunda e toca a andar. A Argentina também. O Brasil do samba, da ginga e da firula rendeu-se inapelavelmente ao pragmatismo, é implacável e burocrático (logo se vê o que sucede amanhã). Um dia, talvez não muito distante, os estádios encherão apenas para que os espectadores possam pintar a cara, vestir a camisola pátria, fazer a onda e ver o árbitro lançar a moeda ao ar. Cara ou coroa? Cara. Parabéns, segue para as meias-finais. Pode não parecer, mas este post não é (só) sobre futebol.