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versa-vice

A passagem do tempo e o contágio pelo esvaziamento ideológico decorrente do crescimento imparável do infotainment têm vindo a convencer-me que a principal diferença entre uma praxis de direita e outra de esquerda decorre de conceitos prévios que, mais do que opostos, funcionam como reflexos de espelho e têm levado, por exemplo:

a) indivíduos com formação religiosa a descrerem na natureza humana e na possibilidade de melhorar a organização das sociedades;
b) outros indivíduos, mais próximos do ateísmo, a acreditarem que é possível melhorar essa mesma natureza ou, no mínimo, a tal coisa social.

Pelo menos à primeira vista, deste cruzamento de crença e descrença dentro de cada um transparece uma estranha noção de equilíbrio. Quase como se, de pessoa para pessoa, esses conceitos prévios pudessem ser semelhantes mas, por estarem alojados em antípodas da geografia mental, deles resultassem actos de sinal político oposto. Um pouco como aquela relação entre o hemisfério cerebral esquerdo e a mão direita e vice-versa.