Alfama sem proveito
Maria da Luz tem 52 anos e utiliza há 40 o lavadouro do Beco do Mexia. Sem espaço em casa para uma máquina, lavava a roupa no tanque. Antigamente, recorda "também lavava a roupa de outras pessoas, para ganhar algum dinheiro. E ainda hoje não recuso lavar uma passadeira ou uma carpete porque a vida está má". O lavadouro sempre foi "a luz dos nossos olhos".
Diz "Além de ali lavarmos a roupa, também convivíamos umas com as outras e ensinávamos as mais novas a tratar das roupas". Maria da Luz assegura que ainda há muita gente que "lava roupa para ganhar o pão".
Agora, enquanto o lavadouro do Beco do Mexia não abre, vê-se obrigada a deslocar-se ao do Pátio do Prior, "bem mais longe e de mais difícil acesso para a maioria das mulheres". "Espero ainda vir a lavar roupa no nosso tanque que agora está tão bonito", conclui.
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