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Maria José Nogueira Pinto é do PCP (e não sabe:)

Com o crescimento do espaço urbano de uma forma mais acelerada nos últimos dois séculos, tudo levava a crer que a cidade, enquanto terreno mais propício para a realização da liberdade individual, seria o local privilegiado para a difusão e preponderância de ideais de esquerda, mais progressistas, enfim.

Ilusão fatal, pelo menos por agora. Se, sobretudo nas cidades, aumentaram as liberdades individuais, é também aí que tem crescido a noção cada vez mais generalizada de que a solidão não pára de alastrar, noção essa de onde deriva uma desconfiança medonha em relação ao outro, à maioria dos outros. Daqui à crescente sedução por ideologias securitárias - reforçadas com a amplificação mediática de episódios de violência urbana - vai um passo de formiga.

Face à impossibilidade actual de sistemas e práticas realmente progressistas chegarem ao governo efectivo nas sociedades ocidentais, parece que pouco mais resta aos agentes desses sistemas e práticas senão intervirem no espaço comunitário ao nível de bairro ou autarquia. O seu desafio actual passará então por tentar, a esse nível, melhorar as condições de habitabilidade e sociabilidade nas urbes.
Neste sentido, a ideologia torna-se temporariamente secundária, uma vez que essa intenção é transversal a quase todos os indivíduos, seja qual for o seu alinhamento político.