"intróito"
Entre tanto para destacar no post em causa, oito citações:
«... a partir de meados de 2005 algo parece ter-se partido algures e a excitação deu lugar ao azedume...»
«... a opção geral foi trocar a conversa pública (que dá trabalho e maçada) pelo confinamento privado...»
«... houve uma fase de recompensa: se te portares bem, linko-te. Passou, felizmente. Escreve-se para “os nossos”, escrevem-se os assuntos e palavras que sabemos que “os nossos” gostam de ler...»
«... antigamente falávamos de microfone aberto. Hoje, escreve-se para o círculo íntimo...»
«... hoje, com a política reduzida a um nicho, abriu-se um espaço nas audiências ocupado pelo mundanismo que sempre caracterizou a maioria dos portugueses que lêem...»
«... a rarefacção de links ocorre sobretudo no centro da blogosfera portuguesa e a partir do centro para fora. A atitude já contaminou as periferias imediatas, mas não chegou às segundas e terceiras coroas, à mole, que está saudavelmente longe do umbigo da blogosfera portuguesa...»
«... a blogosfera portuguesa é uma anã castanha...»
Estas citações pertencem a uma reflexão de Paulo Querido sobre a actualidade dos blogues portugueses com a qual não consigo discordar. E é exactamente por não conseguir fazê-lo que sou obrigado a descontextualizar uma expressão desse post: aquela em que refere «o centro da blogosfera portuguesa».
Sem questionar o alcance dessa expressão naquele contexto, acaba por ser difícil encontrar um centro seja onde for, muito menos na blogosfera.
Por muito que eu não desdenhasse ter um nº aproximado de visitas, nem as 4.000 do «Abrupto», nem as 20.000 de «Aqui é só gatas» (cfr. Blogometro), permitem a quem quer que seja partir do princípio de que faz parte de um “core”. Creio que nem os participantes de uma reunião do G-7, ou os 5 mais ricos da «Forbes», podem afirmar tal coisa com 100% de convicção.
Passe algum exagero de ocasião, já vai sendo tempo de aceitar como inevitável que, em cada segundo que passa desde que a Terra deixou de ser plana, todos vamos ficando cada vez mais periféricos.
E pouco há de negativo nisso.