aprendendo a viver numa cidade relativamente grande
C. trabalha comigo há 6 meses. Sem exagero, é das pessoas mais raras que já tive a sorte de encontrar em Lisboa. O tempo é curto, mas creio que já posso considerá-la como amiga. Talvez por pensar o mesmo, na passada 6ª Feira, C. disse-me que tem razões para não querer conhecer pessoas. Eu não acreditei nas suas razões como bastantes e tentei demovê-la, sem êxito visível.
Quando regressava a casa, fui assaltado pela memória de vários amigos que deixei na minha cidadezinha de origem. De entre eles, lembrei-me de mais de uma dúzia de pessoas com evidentes deficiências físicas e mentais que faziam questão de atravessar o passeio e mostrar-me cáries sinceras em troca de atenção.
Ainda antes de abrir a porta de casa, voltei a pensar em C. quando me disse que, em Lisboa, ninguém parece querer ou admite precisar de atenção. Mostram claramente que o que mais desejam é que os deixem em paz, quanto mais não seja para irem depois para o seu buraco uivar de solidão ou resmungar que as pessoas não prestam.